Wednesday, March 07, 2007

Movimento Sivuca

Sunday, October 29, 2006

Noberto Kuhn, direto de Barcelona

Ola Juciano
Acompanhando teu blog e Motivado pelo debate e repercussäo da sua carta à jornalista e colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde, escrevi o texto abaixo que agora compatilho contigo.

Aí no Brasil vcs devem estar começando a caminhar para as urnas... dqui de barcelona, acompanhamos os acontecimentos pela internet!
bons dias
Norberto Kuhn Junior



Alguém deve ter dito para a jornalista e colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde (e deve ter sido na escola), que alguns são naturalmente melhores que outros e, pior, ela acreditou!

Essa postura, meio fundada em um deus e meio fundada em Darwin (feito este deus), confesso, näo me causa surpresa... Além do que, podem estar pesando aí questões de trajetória pessoal, de ordem psicanalítica, expressa na incapacidade de perceber o mundo para além de seu próprio umbigo, condiçäo essa a que todos estamos sujeitos a sofrer e nem todos a superar (terapias custam!!).

Entäo, sobre o fragmento citado, me volto a pensá-lo sobre como este reflete um entendimento de mundo (questões da ordem do conhecimento, já mencionadas pelo Juciano). O texto faz perceber a incapacidade da mencionada jornalista de fazer valer sobre sua própria percepção de mundo a suposta criticidade atribuida aos exigentes do sul! Tomar “classe” e “qualidades de classe” como algo dado em si (não nos revela se por condição de natureza, posição geográfica ou, até, arbítrio divino) foi seu maior equívoco epistemológico – náo o seria se estivesse no século retrasado.

Um pouquinho que fosse além destas ordens de limitaçöes (o que nos exige, é verdade, meios e recursos, além de simples força de vontade, e que, não sei se é o caso de alguma destas lhe ter faltado) já lhe tornaria possível pelo menos a perguntar-se, arriscando sua verdade (o que é condição da criticidade!!), se na condição essa de não-exigentes e de não-críticos - que assume como atributos dos do nordeste e do norte - não mora algum tipo de bom senso (inteligência, para ficar na moda), pragmática que seja, mas que vem permitindo a esses sujeitos, nos seus contextos, fazerem andar sua vida rumo à sobrevivência, senão ao sucesso (täo cobiçado pelas supostas classes médias!!!). [Porque erramos se seguimos acreditando que sujeitos são puramente manipuláveis por ofertas e promessas, como se não percebessem qualquer correspondência entre crença e o motivos da crença: algo, objetivo, ligado a cotidianidade da vida das pessoas, deve motivá-las à crença nisto ou naquilo... E dizer sobre isto ou aquilo, que esta aí na base da sua crença, como sendo lamentável, dispensável ou revelador de menos exigência e menos criticidade, é, bem o sabemos, condiçáo do exercício da capacidade de fazer valer sobre o outros uma ordens de exigência que a nós nos interessa (a isso também chamamos poder).]

Mas por que a autora do comentário em questäo náo avança criticamente? Por que se revela, neste termos, incompetente (para usar aqui esta noção ícone dos ideiais de eficiência dos exigentes do sul e sudeste, aos quais ela se alia) ao tormar o discurso sobre a realidade como realidade mesma? Será que náo o sabe? Bom, pode ser: fugiu das leituras de teoria da comunicaçäo, epistemologia, sociologia, antropologia!! Sim, pode ser, mas isso náo nos basta para explicar tal postura – manter-se neste nível de argumentaçäo só nos faria pactuar da mesma condiçáo de incompetência.

Bom, penso, a jornalista assim age porque esta encantada, assim mesmo, sob o efeito de magias! Isso de que a representaçäo nos é assumida como realidade mesma, é a mágica da contemporaneidade (operaçäo medieva, diram alguns); e a condição esta de operar tal magia não é atributo da garota essa, assim, em si mesma. É da ordem dos processos midiáticos onde opera profissionalmente. Aqui, convenhamos, a jornalista foi extremamente eficiente e competente... [muitíssimo mais eficiente do que estou sendo eu sou aqui, porque texto assim comprido náo encanta!!] Da sua incompetência epistêmica nasce sua competência mágica, midiática. A questão é que, essa profissional e tantos outros operadores dos truques da magia, estäo eles mesmos acretidando na própria mágica... [bom, a se julgar pelo lugar de importância que cabe à imaginaçäo nos rituais da vida – e que a racionalidade moderna acreditou dispensar, näo é assim, de todo mau, acreditar em Papai Noel !]

De qualquer modo, aqui revelo meu conservadorismo moderno, essa sua crença na magia, em detrimento de um mínimo de reflexividade, o que parece ser a marca no mundo da produçäo midiática, faz crescer socialemente alguns riscos: o assunto motivo desta discussão pode ser tomado como exemplo.

Vou falar das classes médias e eleiçöes, entäo, peço desculpas, vou aproveitar para me divertir um pouco.

Volto ao texto em questäo. No exercício de uma suposta netralidade informativa, sobre onde o candidato Lula deve buscar seu votos, a jornalista aponta a existência natural de dois grupos definidos de eleitores; hierarquiza os grupos a medida que “cola” a cada um deles as qualidades de “menos exigentes/criticos” e “mais exigentes/criticos” e, pirlim pim pim, faz destas idéias sobre o real, o real mesmo (tal como os monstros que certamente habitavam os mares nos idos 1500)... Dos sensos que aí construímos, é que partem, em medida significativa, as orientaçöes para as nossas decisöes, comportamentos, escolhas... A mágica exige entäo, dois poderes: o poder de falar – pouquíssimos o podem exercer (nestes termos, esta minha “fala” é praticamente inútil... é mais para cultivar o prazer da escrita) – e o poder de se fazer ouvir, sendo depositário da crença.

Aqui a grande novidade da contemporaneidade: os jornalistas estäo entre os poucos que hoje conseguem articular, na sua prática profissional, estas duas ordem de poderes; säo os novos sacerdotes da deusa ciência e näo medem esforços em se retroalimetarem destes dois poderes. Säo muitos os equipamentos de alta tecnologia, pesquisas e mais pesquisas que os servem... e vejam as eleitorais: nos revelam a realidade, inegável porque estatística! Assim, a jornalista em questäo opera sua mágica: do seu lugar de fala – um jornal – de onde é ouvida, nos mostra objetivamente quem é mais ou menos exigente em termos políticos, pois pesquisas mostram que pessoas que recebem até tantos salário (os menores), votam em Lula, e acima de tantos salário (os médios e altos), votam em Alkimim... A este atributo bem objetivo, renda - ao qual os pesquisadores tendem a colar objetivamente a idéia de escolaridade - cola-se, por operação discussiva mágica, as qualidades do ser melhor ou pior, mais exigentes ou menos exigentes.

Mas as coisas não param ai: ora, que qualidades temos coladas ao candidado que é escolhido pelos menos exigentes e menos críticos? [daí a revolta do nosso amigo Juciano, porque näo sendo do sul ou sudeste, e vortando em Lula, como ele mesmo nos revelou, acabou por somar duas condiçöes que nos permite considerá-lo menos exigente e menos crítico – qualidades que sabemos bem, estão bem longe dele!]

Uma vez qualificado quem é quem, como explicar o fato de que há uma inversão na ordem idealizada, já que os bons estão perdendo e o menos exigentes estão ganhando (pelo menos é que nos mostram as pesquisas!!)? Como explicar a possível reeleição de um governo que, supostamente, não corresponde nem às escolhas dos mais importantes, nem às exigências das classes médias do sul e do sudeste, justamente aquelas cujas exigências certamente (segundo nos dá a entender a jornalista) säo contruídas sob os fundamentos da racionalidade crítica?

Esta inversão deve ter um culpado! Obviamente säo aqueles a quem falta de capacidade crítica näo os permite perceber o que é importante e que geralmente são os mesmos que se satisfazem com exigências mediocres, tais como sobrevivência.... e que são do norte e do nordeste (coitadinhos, näo têm culpa, é por causa do clima).

[Chega ser divertido ver as classes médias chorando seu abandono, “justamente nós, os que sabemos o que é importante para o Brasil”. Tornados incompetentes pela própria lógica que admiram e defendem como meio para chegarem a ser classe alta (e assim näo precisariam se escandalizar com coisas täo “mundinho” tal como política, corrupção, caixa dois, e estas coisas para quem se contrata alguém para resolver) e, ao mesmo tempo, näo tão pobres para (imagina, deus o livre!), depender do assistencialismo do estado, as classes médias, então, chegam ao desespero! A gaúcha é um bom exemplo desse desespero! De exigente, crìtica e racional que é, pode fazer chegar ao governo do Estado do RS uma candidata que, das vezes que disputou cargos executivos (nos caso, à prefeitura de Porto Alegre), nunca ultrapassou 22% dos votos! Sem falar, que tiraram da atual disputa para o governo do Estado, o mesmo sujeito que fizeram governador nas eleiçöes passadas e que, nas primeira pesquisas de intençäo de voto, mal alcançava 6%!



Divertimentos a parte, e para concluir, vemos crescentemente a construção de um mundo ideal onde desejamos nos ver livre, por exemplo, da probreza (aqui na Europa, dos imigrantes)... Assim, tem sido recorrente na mídia vermos aqueles que sofrem a realidade da pobreza sendo arrancados dessa sua realidade, e, por efeito de magia, sendo transformadas em criminosos, isso mesmo: suas reaçöes e respostas ao mundo, violentas muitas vezes, mas näo necessariamente, longe de serem percebidas na sua condição de uma vida vivida, e uma vida melhor desejada, são apresentadas como obstáculos criminosos para o mundo dos que dizem saber o que é melhor e que, ao que parece, só cabe a eles sonhar, decidir e viver !

Criminalizadas, midiaticamente, o próximo passo será eliminá-las, mas aí, náo há só magia e Hitler nos mostrou isso ontem (paradoxalmente outros governos seguem nos mostrando o mesmo hoje). Antes, talvez, no caso brasileiro, devêssemos retornar ao voto sensitário, para homens, brancos, ricos e näo necessariamente muito escolarizados, e para os näo muito pobres, digo médios... mas, devem mostrar-se regionalmente exigentes e críticos!



Norberto Kuhn Junior

Barcelona, 29 de outubro, 12 horas.

Thursday, October 05, 2006

Carta de Augusto Boal

(Tive acesso à carta na Lista da Compós, em e-mail enviado pela profa. Dra. Maria Immacolatta Lopes, da USP)

Caros Amigos,

quando fui vereador pelo Rio de Janeiro, sempre me manifestei contra o voto secreto e, mesmo repreendido pelo presidente da Câmara, sempre mostrei meu voto ao plenário e às galerias, cometendo, assim, uma ilegalidade, eticamente legítima: essa Lei, à qual sempre fui desobediente, ordenava que escondêssemos o voto e a cara. Eu não podia fazê-lo: tenho princípios, meios e fins - sou um cidadão.

Neste domingo, mais uma vez, quero mostrar a cara e o voto. Mais do que isso: quero mostrar as razões do voto.

Sou contra toda forma de desonestidade, em política e fora dela. Sou contra essa estúpida compra do dossier, - escândalo recente! - mas sou também contrário a que esse dossier, tão valioso (um milhão e setecentos mil reais), não seja aberto à cidadania e permaneça na sombra. Se, com justiça, os compradores são condenados, por que não abrir o dossier? Resposta simples: no Brasil, a grande imprensa está nas mãos daqueles que controlavam a opinião pública e, hoje, não o fazem mais: os votos que Lula tem prometidos são votos de quem sabe o que está sendo feito pelo presidente e escondido pelos jornais - gente que a mídia já não pode enganar.

Um eminente advogado de Grandes Causas me explicou, um dia, a diferença entre o julgamento jurídico e o julgamento político. Naquele, os acusados não podem ser condenados sem provas cabais; neste, basta a convicção dos acusadores, seus adversários políticos. Sou visceralmente contra a compra de votos, contra mensalões, propinas e assemelhados, mas não posso aceitar que deputados, sem provas, sejam cassados em julgamentos políticos, enquanto que outros, provas sobrantes, são absolvidos.

Sou contra, visceralmente contra, qualquer acordo com pessoas ou partidos desonestos: por isso, não pude continuar fazendo política partidária porque detesto viver com um pregador de roupa tapando o meu nariz.

Sou irredutivelmente contra a mentira, contra as duas formas de mentira que existem: a mais comum, a que mente, deslavada; a mais infame, a que esconde a verdade.

Voto em Lula porque a verdade, dita pela metade, mente; quando inteira, mostra-se nua.

Nós somos o que fazemos, não o que, de nós, dizem nossos inimigos. O antigo disse que o atual presidente é o diabo. Ao dizê-lo, confessa-se diabo ele próprio, porque nada é mais diabólico do que diabolizar os adversários. Vergonha! Se o Inferno, em algum lugar, existe, já estará de boca aberta à espera de FH quando à casa torne.

Caras amigas e caros amigos: se quiserem a minha opinião, votem em Lula. Em qualquer caso, votem em quem as vossas consciências mandarem, pois assim é a democracia; mas, antes, vejam o que Lula fez em quatro anos de Mandato, comparados aos oito do presidente precedente.

Bom domingo com a tranqüila consciência, Augusto Boal

* * *

Operações da PF contra a corrupção, crime organizado, lavagem de dinheiro etc.: Lula- 183 (Inclusive contra membros renegados do PT); FHC- 20; Prisões efetuadas: Lula: 2.971; FHC: 54

Criação de empregos: Lula: 6 milhões (4 milhões com carteira assinada); FHC: 700 mil

Exportações (em dólares): Lula: 118,3 bilhões; FHC: 60,4 bilhões

Balança comercial (em dólares): Lula: 103,3 bilhões; FHC: 8,4 bilhões negativos

Risco-país: No governo Lula, o país atingiu o patamar mais baixo da história: 204; FHC: 2.400
(claro que muitos preferiam o calote puro e simples: haveria condições para isso?)

Inflação: Lula: 3,4%; FHC: 12,53%

Dívida com o FMI (em dólares): Lula: dívida paga; FHC: 14,7 bilhões

Dívida com o Clube de Paris (em dólares): Lula: dívida paga; FHC: 5 bilhões

Empréstimo para habitação (em reais): Lula: 4,5 bilhões; FHC: 1,7 bilhões

Crescimento real do salário mínimo: Lula: 25,3%; FHC: 20,6% (Ganho real de 25,7% em três anos)

Valor do salário mínimo em dólares: Lula: 152; FHC: 55

Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica: Lula: 2,2 FHC: 1,3

Atendidos pelo programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico) : Lula: 33,7% (15 milhões de brasileiros foram pela primeira vez ao dentista); FHC 17,5%

Mortalidade infantil indígena (por 1.000 habitantes): Lula: 21,6; FHC: 55,7

Número de turistas que vieram ao Brasil: Lula: 4,6 milhões; FHC: 3,8 milhões

Bolsa Família: Educação e subsídio alimentar: Lula: 11,1 milhões de famílias; FHC: ZERO

Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino: Lula: 762 mil pessoas e 152 mil cisternas
FHC: ZERO

Distribuição de leite no semi-árido: Lula: 3,3 milhões de brasileiros; FHC: ZERO

Apoio à agricultura familiar: Lula: 7,5 bilhões (safra 2005/2006); FHC: 2,5 bilhões (último ano de governo)

Compra de terras para Reforma Agrária: Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005 - falta muito, muito, mas já é mais do que foi); FHC: 1,1 bilhão (1999 a 2002)

Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas: Lula: 14,99 bilhões; FHC: 8,3 bilhões

Investimentos em alimentação escolar: Lula: 1 bilhão; FHC: 848 milhões

Investimento anual em saúde básica: Lula: 1,5 bilhão; FHC: 155 milhões

Juros: Lula: 15%; FHC: 25%

Dívida externa: Lula: 165 bilhões; FHC: 210 bilhões

Eletrificação Rural: Lula: 3.000.000 de pessoas; FHC: 2.700 pessoas

Livros gratuitos para o Ensino Médio: Lula: 7 milhões; FHC: ZERO

Geração de Energia Elétrica: Lula: 1.567 empreendimentos em operação, gerando 95.744.495 kW de potência. FHC: APAGÃO

Fontes: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar - desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; Ministérios Federais e Agências Reg.; SUS; CES/FGV; jornais FSP, O Globo e O Estado.

Thursday, May 25, 2006

Criador da internet critica tentativas de fragmentar rede

Berners-Lee vê com preocupação as iniciativas que visam o controle ou a segmentação regional da Web, o que contraria os princípios que levaram à criação da rede mundial de computadores

EDIMBURGO, Reino Unido - Berners-Lee vê com preocupação as iniciativas que visam o controle ou a segmentação regional da Web, o que contraria os princípios que levaram à criação da internet. A internet deve permanecer neutra e resistir a tentativas de fragmentá-la em diferentes serviços, defendeu nesta terça-feira o inventor da web, Tim Berners-Lee.

Ele fazia uma referência direta às tentativas nos Estados Unidos de tentar cobrar por diferentes níveis de acesso na internet. Segundo Berners-Lee, a idéia não "é parte do modelo da internet". O alerta foi feito em Edimburgo, na Escócia, onde Berners-Lee participa da Conferência Anual sobre o futuro da Internet. "Do meu ponto de vista é muito importante que haja apenas uma rede", caso contrário podemos entrar "em um período de trevas", argumentou.

Acrescentando que "qualquer um que tentar retalhar (a internet) vai descobrir que as peças vão ser entediantes". Igualdade o cientista britânico desenvolveu a internet em 1989, como uma ferramenta acadêmica que permitiria aos cientistas compartilhar informações. Desde então, a internet explodiu em todas as áreas. Mas, à medida em que cresce, há cada vez mais discórdia sobre como deve ser o seu desenvolvimento. Ao invés de vender sua criação, Berners-Lee criou o World Wide Web Consortium, que administra a internet nos Estados Unidos como um modelo aberto.

O modelo é baseado na neutralidade da rede, onde todos têm o mesmo nível de acesso e a informação na internet é tratada com igualdade. Esta visão é apoiada por empresas como a Microsoft e a Google, que defendem a criação de leis para garantir a neutralidade da rede. Os primeiros passos foram tomados na semana passada, quando a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos começou a analisar a lei de neutralidade.

Pagamentos
Empresas de telecomunicações americanas discordam. Elas gostariam de implementar um sistema duplo, no qual as informações de empresas ou instituições que podem pagar por isto terão prioridade sobre outras que não podem. Isto se torna particularmente importante em relação a transmissões de TV na internet, com alguns provedores de banda larga querendo cobrar de provedores de conteúdo.

E os defensores do atual modelo encaram a tentativa de cobrança como uma ameaça ao atual modelo de internet. Os provedores de banda larga poderiam tornar-se guardiões do conteúdo da rede mundial de computadores. Provedores que podem pagar seriam capazes de conseguir vantagens comerciais sobre aqueles que não podem. Também há o temor de que instituições de caridade ou universidades venham a ser prejudicadas. Além do medo de que os consumidores acabem pagando a conta.

Otimismo
Berners-Lee, que ganhou o título honorífico de "sir" da rainha da Inglaterra, afirmou que para ele isto não "é o modelo para a internet". O modelo "certo", que é o que existe no momento, garante que todos os provedores de conteúdo possam pagar por uma conexão e colocar conteúdos na internet, sem discriminação.

Falando com repórteres na WWW-2006, ele disse acreditar que este é o grande benefício da internet. "Você tem esta grande sorte do acaso, de achar um site que nem estava procurando", exemplificou. Um sistema duplo significaria que as pessoas só teriam acesso completo às porções da internet para a qual pagaram. E que algumas empresas teriam prioridade sobre outras.

Berners-Lee se disse otimista. Ele acredita que a internet vai resistir à tentativas de fragmentação. "Acho que a internet é uma só e vai continuar assim," previu. A conferência WWW-2006 continua até sexta-feira em Edimburgo.

24 de maio de 2006 - 09:53
http://www.estadao.com.br/tecnologia/internet/noticias/2006/mai/24/54.htm

Wednesday, May 24, 2006

Orkut e a socialização entre alunos via Rede

Ao Colegiado de Recursos Tecnológicos


Joinville, 24 de maio de 2006


Parecer em favor da liberação dos programas de sociabilidade e interação em rede

O SECORD e os responsáveis pela Rede do BOM JESUS/IELUSC decidiram há algum tempo, por motivos de segurança e melhor desempenho da Rede, bloquear o Orkut, Fotolog e outros programas de interação em tempo real (MSN e outros do tipo). Se a medida se justifica do ponto de vista estrutural, o modo como foi feita não é justificável, pois não foi discutida, mas imposta. Por outro lado, o aspecto acadêmico desses novos processos comunicacionais de base digital não foram observados. Do lado pedagógico e da interação e processos de sociabilidade dos alunos e professores, perdemos.

É preciso ressaltar que o ambiente digital e os programas de sociabilidade e interação simultânea possibilitam o exercício da capacidade comunicativa, fazendo com que os sujeitos aprendam a lidar com as assimetrias do processo comunicacional.

O ambiente digital não é, tampouco, um lugar que, por si, torna possível a horizontalidade das relações ou o rompimento entre o ser produtor e receptor, nem estabelece os marcos do fim das assimetrias. Estas têm a ver com habilidades e competências comunicativas desenvolvidas pelos participantes da interação digital (Lacerda, 2004).

Também possibilita o desenvolvimento de papéis sociais, identidades e processos de colaboração (Turkle, 1997). Ao mesmo tempo possibilitam o sujeito pensar sobre o seu tempo e a qualidade do uso de suas temporalidades presenciais e virtuais.

Acredito que são ferramentas de extrema importância para a comunicação e integração. Auxilia nas relações interpessoais num mundo onde o tempo parece passar mais depressa e temos momentos e horários diferentes para acessar este mundo virtual. Também somos responsáveis por nossos atos e pelo uso do nosso tempo, se estas ferramentas forem usadas para blá, blá, blá a pessoa é que está perdendo um tempo precioso. (Aluno da 5ª Fase de PP/Ielusc)[1]

A peculiaridade de alunos do IELUSC trabalharem ou residirem em outras cidades próximas também é um elemento importante para a abertura das ferramentas comunicacionais objeto desta argumentação.

Então, eu e as meninas direto nos comunicamos pelo orkut pra fazer trabalho, msn inclusive... a gente pode não estar juntas, mas esses meios nos deixam proximas, fazendo com possamos nos comunicar direto, realizando assim os trabalhos e até mesmo trtando as duvidas. Eu acho fundamental esses meios que a internet pode nos proporcionar. (Aluna 1ª Fase Jornalismo/Ielusc)

Os alunos criam comunidades de suas turmas, produzem tópicos para discutir temas da faculdade e disciplinas e amadurecem sua capacidade de argumentação e defesa de idéias. Isso se caracteriza como a realização de uma microesfera pública, importante para o desenvolvimento de práticas de cidadania.

O espaço do Orkut e outros ambientes de interação fazem parte do escopo das disciplinas Meios Internet I e II e Produção e Difusão em Internet I. E como são tecnologias de comunicação também podem ser objeto de investigações de alunos do Ielusc, a exemplo de pesquisas como a de Raquel Recuero, da Universidade de Pelotas, que investiga as redes sociais a partir do Orkut, Blogs, Fotologs e outras tecnologias. (Recuero, 2003; 2004; 2005).

E por fim o aspecto político, sob vistas à discussão da democratização da comunicação, ponto defendido no Curso de Comunicação Social.

A apropriação social das tecnologias de informação e comunicação possibilitou o desenvolvimento de uma série de iniciativas de articulação de pessoas a partir da Internet e de experiências de comunicação alternativa de baixo custo e alcance restrito, que, combinadas, proporcionam a configuração de uma rede tão diversificada quanto politicamente ativa (Cabral Filho & Cabral, 2004)

Essa apropriação é demonstrada no depoimento de alunos do Curso de Comunicação Social que usam o Orkut e outras tecnologias de comunicação numa perspectiva politicamente ativa. É o caso do depoimento abaixo, de um aluno da 5ª Fase de Jornalismo.

Ferramentas de comunicação como Orkut, Blogs,MSN, chat´s e outras tecnologias advindas com a evolução da Internet tornaram-se indispensáveis para uma geração de profissionais que encontraram nesses meios novas maneiras de trabalho, novos mercados e novas formas de relacionamento.

Para estudantes de Jornalismo, além de uma opção a mais de comunicação, esses espaços servem a experimentos de produção jornalística, suporte para projetos acadêmicos, instrumento de pesquisa, contatos profissionais, espaço de mediação alternativa e meio de democratização da informação. São benefícios que, no círculo didático-pedagógico,aumentam ainda mais.

Não dá para pensar num curso de Comunicação Social, que prioriza a liberdade de expressão e a experimentação do conhecimento, com esse tipo de ferramenta bloqueada e inacessível. Vejo como um atraso, uma atitude burra e demasiadamente desequilibrada, que não contribui em nada no processo de construção do conhecimento.


Diante dos fatos e dados expostos, solicito que seja reaberto o acesso a estas ferramentas tecnológicas de sociabilidade, interação e atuação pedagógico-políticas. E para isso, que sejam estabelecidos parâmetros de uso e configuração, racionalizados a partir da realidade dos nossos laboratórios. Fato que também nos provoca a repensar a lógica de nossa rede e servidores, inclusive debatendo com os alunos por uma nova cultura de uso (armazenamento de dados no servidor, tempos de uso etc).

Juciano de Sousa Lacerda
Prof. de Meios Internet I e II, Políticas da Comunicação e Teoria da Comunicação.
Membro do Colegiado do Curso de Jornalismo.

Bibliografia
CABRAL FILHO,A.V.; CABRAL,E.D.T.. Começar de novo: sobre o controle público como perspectiva para o modelo brasileiro de televisão digital. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 27., 2004. Porto Alegre. Anais... São Paulo: Intercom, 2004. CD-ROM.


LACERDA, Juciano de Sousa. A construção de vínculos e coletivos em territórios digitais: o caso Recomsol Rede de Comunicadores Solidários. In: VII CONGRESO LATINOAMERICANO DE CIENCIAS DE LA COMUNICACIÓN, 2004, La Plata. 70 años de Periodismo y Comunicación en América Latina - CD de Ponencias. La Plata : Universidade Nacional de La Plata / ALAIC, 2004.


RECUERO, R.C. Warblogs, os blogs, a guerra no Iraque e o jornalismo online. Anais do 26. Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Belo Horizonte-MG, setembro de 2003. São Paulo: Intercom, 2003. [cd-rom]


_____. Redes Sociais no Ciberespaço: Uma proposta de Estudo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 28., 2005. Rio de Janeiro. Anais... São Paulo: Intercom, 2005. CD-ROM.


_____. Teoria das redes e redes sociais na Internet: Considerações sobre o Orkut, os Weblogs e os Fotologs. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 27., 2004. Porto Alegre. Anais... São Paulo: Intercom, 2004. CD-ROM.

TURKLE, Sherry. A vida no Ecrã – a identidade na era da Internet. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 1997.


[1] Os depoimentos foram coletados em dois fóruns intitulados: “Pela liberação do Orkut, MSN e outros no Ielusc” instalados nas Comunidades Jornalismo IELUSC (2005 membros) e PP IELUSC (188 membros) em 29 de abril de 2006. Os textos foram preservados em sua forma original, inclusive com erros de digitação gramaticais e ortográficos.

Thursday, May 18, 2006

Um espaço para dar vazão a pensamentos e conexões

Começamos este novo blog com a intenção de dialogar e interagir sobre nossos temas de pesquisa usos e processos comunicacionais dos telecentros de acesso público gratuito por comunidades e jornalismo comunitário.

Assim, nos interessa abordar o tema das tecnologias da comunicação e da informação tanto do ponto de vista da participação da sociedade no uso e na produção de formas de comunicação em interação com essas tecnologias como as antigas e novas promessas em torno das tecnologias da comunicação e sua difusão para o desenvolvimento das sociedades, cujo ponto culminante é o tema "Sociedade da Informação".

Abordaremos também o ângulo dos processos transnacionais socioeconômicos e políticos decorrentes da digitalização da informação, articuladas às práticas das disciplinas da Comunicação Social (principalmente jornalismo comunitário e standard e publicidade).

Esperamos, de alguma forma, contribuir para estes debates contemporâneos com informações relevantes. Que possamos construir com nossos colegas pesquisadores, colegas acadêmicos e alunos uma rica teia de conexões e sentidos.

Se você também está interessado em contribuir, estamos abertos à participação de novos colaboradores interessados nas temáticas do blog!


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Thursday, April 27, 2006

Un proyecto para cercar a Internet

Por Sally Burch / ALAI

La coalición "Save the Internet" (salvemos Internet), que agrupa a decenas de organizaciones estadounidenses preocupadas por mantener Internet como un espacio libre y abierto, ha denunciado que el Congreso de su país está discutiendo una ley que eliminaría el principio de “neutralidad de la red.” Romper la neutralidad significaría que las empresas que controlan el sistema, como AT&T, Verizon y Comcast, podrán establecer un sistema de "peajes", que determine cuáles sitios Web se abren más fácilmente, o qué tráfico pasa más rápidamente, basado en quién paga más.

La coalición está impulsando una campaña de presión al Congreso para que no entregue el control de Internet a las empresas, para que puedan determinar lo que la mayoría de usuarios hagan y vean en línea. Denuncia que varios congresistas, a cambio jugosas donaciones de campaña de las grandes empresas de telecomunicaciones, han asumido la defensa de una Ley a favor de estas empresas, bajo el argumento de que "el Internet no puede ser gratuito".

"Dentro de poco, la libertad de Internet podría estar cercada por las empresas telefónicas y del cable", resalta la Coalición (1). Éstas se convertirían en "porteros" de Internet, con la potestad de discriminar entre diferentes tipos de tráfico. Implicaría que los portales Web con mayor capacidad de pago podrían tener acceso a rutas rápidas, mientras que los sitios que no pagan el peaje estarían condenados a la vía lenta.

Entre los ejemplos que la coalición cita de lo que significaría, menciona que "la acción política se podría retrasar porque un puñado de proveedores de Internet dominantes exijan primas de "protección" a los grupos de presión, para que sus sitios Web funcionen óptimamente". Los buscadores más rápidos serán aquellos que pueden pagar más a los proveedores. Y para los "bloggers", los costos para compartir clips de video y audio podrían dispararse, silenciando a los comunicadores/as ciudadanos/as, concentrando aún más el poder en manos de los medios corporativos.

¿Cuáles serán las implicaciones para quienes viven en el Sur? En América Latina, el tráfico de Internet en un alto porcentaje pasa por los servidores de EE.UU. De las decisiones que adopte el Congreso estadounidense depende que se acorten o se amplíen las brechas en el acceso y capacidad de difusión en Internet.

Este hecho pone en evidencia, una vez más, la urgencia de implementar un sistema de gobierno de Internet que no dependa de un solo país, y de crear infraestructuras distribuidas geográficamente.

(1) http://www.savetheinternet.com/
http://www.movimientos.org/foro_comunicacion/show_text.php3?key=7049

________________________________________________________
Sally Burch - Directora Ejecutiva
Agencia Latinomericana de Información
INTERNET: sburch@alainet.org
Direccion: Casilla 17-12-877, Quito-Ecuador
Telefono: (593 2) 250 5074 / 222 1570 / 252 8716
Fax: (593 2) 250 5073 URL: http://alainet.org

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